Escritor de livros infantis Paulo Netho
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Um poeta com muita poesia na cachola

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A caligrafia de Dona Sofia
A caligrafia de Dona Sofia

Publicada em 07/05/2022

Chegou às minhas mãos a nova versão do lindíssimo livro “A Caligrafia de Dona Sofia”, escrito e ilustrado por André Neves, publicado pela Paulinas. Dona Sofia, moradora da  montanha mais alta da pequena cidade Colinas, habitava uma casa decorada com poesias. Como diz o narrador: “Isso mesmo... poesias! Uma casa feita de pedacinhos de lembranças.

Desde a primeira vez que li este livro, não tive como não me transportar para o quartinho em que vivia na casa dos meus pais, no Jardim Bussocaba, em Osasco. Quartinho forrado de poesias minhas e de outros poetas também. Além disso, tinha também os recados que os meus amigos ali deixavam como um do Ismael Moreira Jr., o Pira,  um que eu nunca esqueci: “Queria passar a vida toda comendo queijo derretido e jogando futebol de botão com bons amigos assim como você”. 

Sim, os recados contidos nas paredes descascadas do quartinho eram bem mais modestos do que os encontrados pela casa de Dona Sofia. Todos eles escritos com a sua linda caligrafia. Folheando as páginas do André, encontramos muitas pérolas poéticas que enfeitam e perfumam, não só a casa dessa feliz personagem, como as nossas vidas. 

As poesias que decoram a casa de Dona Sofia nos apresentam uma pessoa que ama as palavras, que ama o seu jardim. Por isso, os poetas estão por todas as partes. Lado a lado, podemos encontrar Leminski e Roseana Murray sob o olhar de J. G. de Araújo Jorge. E de sobra, um Mário Quintana escanteado a nos perguntar: “Que poetas deves ler?” E ele mesmo responde: “Simplesmente os poetas que gostares...” É como se alguém, um dia, ousasse a lhe perguntar: “O que é um vinho bom pra você?” Aí, você dá um trago e suavemente diz: “É aquele que eu bebo e gosto”.

Pois bem, não vou falar mais nada. É preciso entrar na casa da Dona Sofia para ouvir Cecília Meirelles dizendo: "recolhida,/ tímida,/ deslumbrada/ me debruçava no mistério das palavras e do mundo". E eu olhando tudo isso, fechei os olhos e falei pra mim mesmo: “Colabore na elaboração de um sonho./ Sonhabore como quiser./ Todo calor/ sabor/ dissabor/ sonhabore até”. Nisso, ouço a voz de Henriquieta Lisboa ressoando: “Não há poesia com destinatário(...)”

Parece que a Dona Sofia assim como o André sabem que o essencial é transformar a realidade em fantasia. E assim, antes de me despedir, cato — como quem escolhe feijão — os versos de João Proteti, que também enfeitam a casa dessa mulher e os transcrevo aqui: “Nessa viagem/ Por esse mundo vão/ Quero que você me leve/ Como bagagem  de mão”. 


 

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