Escritor de livros infantis Paulo Netho
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A primeira reguada
A primeira reguada

Publicada em 09/11/2022

A primeira reguada a gente nunca esquece. Eu pelo menos não esqueci desse acontecimento da minha vida.

O ano era 1972, eu estava próximo de completar 8 anos de idade. Depois de passar alguns meses no jardim da Infância da saudosa Dona Luísa, fui matriculado na escola Professor Max Zendron. A professora era das antigas e se chamava Aparecida. Em nada lembrava a Dona Luísa.

A Dona Aparecida não tolerava lero-lero de menino que se achava esperto.

Eu sentava na primeira fileira de carteiras e acompanhava atentamente o final daquele dia de aula. Dona Aparecida escrevia no quadro negro o DEVER, assim mesmo  com letras maiúsculas: DEVER era a lição de casa. No entanto, a minha cabeça de menino já estava em outro lugar, talvez no futebol com o Suli, Ronan, André, Ailtinho, Matatias, Paulinho, Miolão, Os Grous, Cadinho, Miolão, Vadi, Mengão e tantos outros moleques da Vila Yara daqueles tempos.

Assim que copiei a palavra DEVER, sei lá o porquê enfiei o meu caderno na pasta preta juntamente com os lápis de cor, apontador e borracha. Deixei apenas sobre a mesa uma régua de madeira de 30 centímetros. E ali fiquei observando a professora completar a tarefa que queria que fizéssemos para o outro dia. Até então, tudo caminhava muito bem. 

Disse bem "caminhava", porque assim que a Dona Aparecida terminou de colocar o conteúdo na lousa, a mulher virou-se e me viu ali com aquela cara de paisagem. De imediato, ela olhou bem nos meus olhos, e eu imaginei um dragão por trás daqueles óculos imensos. Parecia que saía fogo dos seus olhos.

De repente, a Dona Aparecida pronunciou o meu sobrenome e isso não era um bom sinal:

— Feliciano!, ela disse com aquela voz assustadora.

— O senhor copiou o DEVER?

Eu titubeei  e falei sem muita convicção:

— Sim, Dona Aparecida!

Então, a Dona Aparecida pediu para ver o meu caderno. Eu quase tive um treco, quis me enfiar todo dentro daquela pasta preta. E, com todo cuidado do mundo, retirei o caderno e lhe entreguei. Assim que a Dona Aparecida abriu o caderno logo notou que eu apenas havia copiado a palavra DEVER e mais nada...

Minha imaginação se transformara em realidade: A professora encarnou aquele dragão que eu tanto temia. Imediatamente ela pegou a régua de madeira de 30 centímetros que deixei sobre a mesa e incontinenti vociferou o meu nome:

— FELICIAAAAANO!!! — E covardemente me deu uma reguada na cabeça. É por isso que eu digo: a primeira reguada a gente nunca esquece, mas eu perdoo a Dona Aparecida.  Perdoo sim!    

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