Escritor de livros infantis Paulo Netho
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Dona Solidão
Dona Solidão

Publicada em 09/04/2023

Foi agorinha, avistei a mulher errando entre os calipaus. O vento frio e o chuvisco gotejavam os cabelos grisalhos, os lábios secos. A cor cinza desse domingo ornava com a blusa que ela usava.

Estava prontinha para se desmanchar como uma pétala desenxabida de tanta existência.

Eu não sabia o nome dela: Maria?; Rita?; Solange?; Conceição? – ou, apenasmente;  Dona.

Dona Solidão.

Esta foi a primeira impressão que tive quando a vi caminhando pelo  parque vazio nessa manhã gelada e cinzenta. Beirava os sessenta. Sozinha com os seus bichos.

Certamente, Dona Solidão tinha família e amigos, mas todos foram aproveitar o feriado prolongado da Semana Santa. Sei lá...

Não se sentiu mais solitária por causa dos seus três poodles que freneticamente a puxavam pra lá e pra cá: “Eles são ótimos!”, dizia sempre que alguém a abordava para brincar com os cãezinhos. “São uns amores mesmo!”

Dona Solidão sentiu o peito trovejar, relampejar e doer. Como explicar o que a corroía? Como explicar tal imersão?

De repente, lagrimou copiosamente. Vendo-a em dilúvio, o segurança do parque se aproximou, tentou ser solidário. A mulher desconversou: “Nada não, foi só um sentimento. Vamos crianças!”

Colocou os poodles nas suas respectivas guias e dividiu com os bichinhos os restos de um ovo de chocolate de 500 gramas.

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