Escritor de livros infantis Paulo Netho
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Um poeta com muita poesia na cachola

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Quem é o Paulo Netho
Meus livros, minha vida!
Meus livros, minha vida!

Publicada em 15/09/2023

Meus livros, minha vida!

Faz tempo que estou nessa história de escrever. Há mais de 40 anos, desde que o futebol deixou de ser o meu desejo profissional, despenquei sem paraquedas no reino das palavras.

Parafraseando o meu saudoso amigo Carlos Salaberry: Hoje, sou Literatura Infantil Futebol Clube.

Isso significa dizer que a minha vida só tem sentido se estou envolvido com os livros que leio, com os que escrevo e com os encontros que essas atividades me permitem ter com as crianças, pais e com os profissionais de educação. 

Aprendi: ouvir o outro é um gesto de amor. Claro que não pretendo ensinar nada a ninguém, simplesmente gosto de trocar figurinhas sobre as delícias e as agruras da minha profissão.

Cresci numa casa pobre que tinha um rico quintal, na Vila Yara dos anos 1960, em Osasco-SP. Então, desde pequeno aprendi a conviver com pessoas diferentes, com pessoas de todos os jeitos. Com elas me humanizei.

Em casa, a gente não tinha livros, mas como eu disse, o quintal era uma riqueza só. Na minha cabeça de menino tudo era jardim, forradin de crianças festivas. As rodas eram mediadas pelo Márcio, um dos filhos da Dona Bilina.

E a gente cantava de mãos dadas, de olhos brilhando e risos largos. Foi nessas interações que o menino poeta que vivia dentro de mim teve as primeiras lições de leveza.

Eu era a criança mais rica do mundo e ainda voava, com as mãos, pés e alma na imaginação.

Antes de aprender qualquer coisa, brinquei muito. Assim como falou Zaratustra, no clássico livro de Nietzsche – Só consigo acreditar num Deus que saiba dançar. Logo, descobri que a sabedoria só podia morar no esquecimento.

Pois bem, ainda segundo o mestre alemão “é preciso usar trovões e fogos de artifício celestes para falar com sentidos frouxos e dormentes, mas a voz da beleza fala baixo: ela se insinua apenas nas almas mais despertas”. 

E era sentado no telhado de casa que eu praticava exercícios para despertar, desgarrar das chatices, enquanto ouvia a voz baixa da beleza e seguia passarinhos e maritacas em eterno carnaval, o céu se acarminava. Tudo podia em mim, tudo voava dos meus olhos como se eu tivesse pássaros no olhar. Vai ver... Eu tinha mesmo.

Naquele tempo, eu tinha todo o tempo do mundo e era feliz e não sabia. Mas enquanto rumino essas ideias aqui, não é que encontrei novamente aquele meninin, sem eira nem beira. Ele ainda ainda mora dentro de mim e, agorinha mesmo, montamos num cavalo alado e não temos hora pra voltar enquanto ouvimos despencados, aquela voz baixa da beleza.

 

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